O estresse térmico é um desafio real, mas não é uma sentença de baixa eficiência reprodutiva
O estresse térmico é um dos maiores desafios para a reprodução animal no Brasil. Com as mudanças climáticas intensificando os períodos de calor, produtores de leite e corte enfrentam quedas significativas nas taxas de concepção e aumento nos custos reprodutivos.
Entender como a alta temperatura interfere na fertilidade e o que fazer para reduzir esses efeitos é essencial para manter bons resultados produtivos durante todo o ano.
Queda na expressão de cio (estro)
Em vacas leiteiras e de corte, o calor reduz a intensidade e a duração do estro.
Isso dificulta a detecção de cio, atrasa a inseminação e aumenta o intervalo entre partos.
Por quê isso acontece?
O estresse térmico altera a liberação de hormônios, como LH e FSH, que regulam o ciclo estral.
Redução da qualidade dos oócitos e embriões
Temperaturas elevadas prejudicam o desenvolvimento dos folículos e reduzem a viabilidade dos oócitos.
Animais inseminados durante ondas de calor têm maior risco de:
- Fertilização falha
- Mortalidade embrionária precoce
- Baixas taxas de prenhez
Pior qualidade seminal
Em touros, a alta temperatura impacta diretamente a espermatogênese.
Os efeitos incluem:
- Redução da motilidade espermática
- Aumento de anormalidades morfológicas
- Queda na concentração de espermatozoides viáveis
Isso compromete a eficiência tanto na monta natural quanto na coleta para IATF ou sêmen convencional.
Alterações metabólicas que prejudicam a reprodução
O estresse térmico reduz o consumo de matéria seca, diminuindo energia e nutrientes disponíveis.
O resultado é:
- Menor produção de hormônios
- Perda de condição corporal
- Menor atividade ovariana
Essa combinação afeta diretamente vacas recém-paridas, que já estão em maior exigência nutricional.
Sinais de que o calor está comprometendo a reprodução da fazenda
Fique atento se, durante períodos mais quentes, você perceber:
- Aumento no número de vacas vazias
- Menor taxa de prenhez na IATF
- Mais repetições de cio
- Atrasos no retorno ao cio pós-parto
- Mais touros cansados e com queda de desempenho
- Redução da fertilidade em novilhas
Quanto mais cedo o produtor identificar esses sinais, mais rápida e eficiente será a correção.
Como proteger o desempenho reprodutivo do rebanho em altas temperaturas
Minimizar o impacto do calor não exige grandes investimentos, mas sim manejo estratégico. Algumas ações eficientes que ajudam a minimizar os efeitos do estresse térmico:
- Priorizar conforto térmico
Sombra natural ou artificial
Acesso constante à água limpa e fresca
Ventilação e aspersão nos currais e salas de espera (em fazendas leiteiras)
Evitar manejos intensos nas horas mais quentes
Ambientes frescos mantêm o animal dentro da zona de conforto térmico, preservando a função reprodutiva.
- Ajustar nutrição nas épocas mais quentes
Dietas com maior densidade energética
Minerais específicos para estresse térmico
Manejo de cocho com maior frequência
Silagem e volumoso bem conservados
Com consumo reduzido pelo calor, cada bocada precisa ser mais nutritiva.
- Sincronização bem planejada
Em períodos de calor intenso, aumentar o uso de protocolos de IATF pode ajudar, pois reduz a dependência da detecção visual do cio, que cai no calor.
- Avaliação periódica dos touros
Touros devem ser testados, especialmente antes da estação de monta.
Exames andrológicos completos evitam surpresas durante a estação reprodutiva.
- Manejo estratégico de lote
Reduzir lotação em períodos críticos
Priorizar sombra para vacas recém-paridas
Evitar longos deslocamentos
Lotes mais tranquilos respondem melhor aos protocolos reprodutivos.
O estresse térmico é um desafio real, mas não é uma sentença de baixa eficiência reprodutiva. A chave está em adotar uma abordagem integrada, combinando diferentes estratégias e monitorando constantemente os resultados. Propriedades que investem em conforto térmico não apenas melhoram a reprodução, mas também aumentam a produção, reduzem doenças e melhoram o bem-estar animal.
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Autor:
Eduarda Viana
Zootecnista
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