A colostragem eficiente é um manejo simples, mas que exige atenção aos detalhes

O colostro representa o primeiro e mais crítico alimento na vida de um bovino. Nas primeiras horas após o nascimento, uma janela de oportunidade se abre — breve, mas determinante para toda a trajetória produtiva do animal. A colostragem, nome dado ao processo de fornecimento de colostro ao recém-nascido, não é apenas um protocolo sanitário: é o alicerce sobre o qual se constrói a saúde, o crescimento e o potencial produtivo futuro do bezerro. Compreender e executar corretamente este manejo pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso na criação.

Por que o colostro é tão importante

O bezerro nasce sem imunidade contra os principais agentes presentes no ambiente. Diferente de outras espécies, não há transferência de anticorpos da vaca para o feto durante a gestação. Por isso, o colostro é a única fonte inicial de imunidade passiva.

Além dos anticorpos, o colostro é rico em energia, proteínas, vitaminas e fatores de crescimento que estimulam o desenvolvimento do intestino e auxiliam na adaptação do recém-nascido ao ambiente extrauterino.

O momento certo faz diferença

A capacidade de absorção de anticorpos não é permanente. Após o nascimento, inicia-se um processo progressivo de fechamento das células intestinais.. A absorção máxima ocorre nas primeiras duas horas de vida, começando a declinar rapidamente a partir daí. Após 6 horas, a eficiência de absorção já está significativamente comprometida, e após 24 horas, praticamente não ocorre mais absorção de imunoglobulinas.

Por essa razão, estabeleceu-se como regra fundamental da colostragem que o bezerro deve receber colostro de qualidade nas primeiras 6 horas de vida, idealmente dentro das primeiras 2 horas. Essa urgência não é exagero pois cada hora que passa representa perda irreversível na capacidade de proteção imunológica do animal.

Bezerra sendo aleitada com mamadeira

Quantidade e qualidade do colostro

Para uma colostragem eficiente, o bezerro deve receber volume adequado e colostro de alta qualidade. A recomendação técnica mais utilizada é fornecer cerca de 10% do peso vivo do animal nas primeiras duas horas de vida e mais 5% do peso vivo em até 6 horas após o nascimento. A qualidade do colostro está diretamente relacionada à concentração de anticorpos. Vacas saudáveis, bem nutridas, com bom manejo pré-parto, produzem colostro mais rico. Ferramentas como o colostrômetro ou o refratômetro auxiliam na avaliação prática dessa qualidade na fazenda.

Colostro de baixa qualidade compromete a imunidade do bezerro, mesmo quando fornecido no volume correto.

Higiene: um ponto muitas vezes subestimado

A higiene durante a coleta, armazenamento e fornecimento do colostro é fundamental. Contaminação por bactérias reduz a absorção dos anticorpos e aumenta o risco de diarreias e infecções nos primeiros dias de vida.

Baldes, mamadeiras e sondas devem estar limpos e bem higienizados. O colostro deve ser fornecido logo após a ordenha ou armazenado corretamente, sob refrigeração ou congelamento, quando necessário.

Impactos no desempenho ao longo da vida

Bezerros bem colostrados apresentam menor incidência de doenças, maior ganho de peso, melhor eficiência alimentar e maior taxa de sobrevivência. Estudos mostram que esses animais tendem a produzir mais leite na primeira lactação e apresentam melhor desempenho reprodutivo.

Ou seja, a colostragem não afeta apenas os primeiros dias de vida, mas toda a trajetória produtiva do animal.

A colostragem eficiente é um manejo simples, mas que exige atenção aos detalhes. Tempo, volume, qualidade e higiene formam a base desse processo. Quando bem executada, ela reduz perdas, melhora o desempenho e aumenta a rentabilidade do sistema.

Cuidar bem do colostro é investir no futuro do rebanho desde o primeiro dia de vida.

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Autor:

Eduarda Viana

Zootecnista

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