Quem acompanha o desempenho de cada animal sabe identificar o momento em que ele deixou de valer a pena e vende na hora certa
Existe um custo na pecuária que não chega como boleto, não aparece na nota e não faz barulho nenhum: o de segurar um animal na fazenda depois que ele já passou do ponto de sair. Ele continua ali em pé, parecendo que está tudo certo, e é justamente por parecer inofensivo que esse custo passa despercebido na maioria das propriedades. Mas cada dia a mais que esse animal fica é dinheiro saindo do caixa sem você perceber.
Animal parado não é animal de graça
Todo dia que o animal permanece na fazenda, ele consome recurso. Pasto, suplemento, sanidade, mão de obra, água, estrutura: tudo isso continua correndo independentemente de ele estar ganhando peso ou não. Enquanto o ganho diário cobre esse custo diário, o animal se paga. O problema começa quando essa conta vira.
Conforme o animal amadurece, ele tende a ganhar peso mais devagar e a converter alimento de forma menos eficiente. Come a mesma coisa, ou até mais, e devolve cada vez menos em arroba ou em leite. Chega um momento em que o que ele produz por dia não cobre mais o que ele custa por dia. Desse ponto em diante, você não está mais engordando boi nem mantendo uma vaca produtiva: está bancando hóspede.
O custo que quase ninguém soma: o tempo
Além do gasto diário, existe um custo silencioso que raramente entra na conta. Cada animal que ocupa o pasto por mais tempo do que deveria é um lugar que poderia estar recebendo o próximo lote. Ele atrasa o giro da fazenda, segura capital parado em pé e adia a entrada de dinheiro novo.
É o custo de oportunidade: aquele que você não enxerga porque ele não é uma despesa que saiu, é um lucro que deixou de existir. Dois produtores podem ter o mesmo rebanho e o mesmo custo, mas aquele que gira mais rápido fatura mais vezes no mesmo ano. O tempo de permanência, sozinho, separa quem lucra de quem só movimenta animal.
Por que tanta gente não percebe
O animal continua de pé, comendo, andando, aparentemente saudável. Não há sintoma visível de prejuízo. Por isso o produtor que decide no olho costuma segurar o animal “mais um pouco”, esperando um preço melhor ou simplesmente porque não há um sinal claro mandando ele sair. Quando o ponto de retorno já passou, esse “mais um pouco” vira margem comida mês após mês.
O ponto certo de saída não é igual pra todo mundo. Depende do seu sistema de produção, do seu custo, do seu manejo e do momento do mercado. Cria, recria, engorda, confinamento, pasto, leite: cada realidade tem a sua lógica e o seu momento de virada. Por isso o caminho não é decorar um número mágico, e sim conhecer a sua própria operação de perto e contar com a sua assistência técnica e gerencial pra enxergar, com clareza, quando cada animal para de dar retorno.
A diferença entre quem acompanha e quem só assiste
Quem acompanha o desempenho de cada animal sabe identificar o momento em que ele deixou de valer a pena e vende na hora certa. Quem não acompanha descobre tarde, quando o prejuízo já se acumulou e a margem já foi embora. A decisão é a mesma — vender o animal — mas o resultado é completamente diferente dependendo de quando ela é tomada.
cro na pecuária não está só no peso final nem no volume de leite. Está em saber exatamente em que ponto cada animal para de pagar a própria conta e precisa sair.
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Autor:
Eduarda Viana
Zootecnista
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