Aveia, azevém, triticale e centeio são algumas das opções que ganham espaço nas propriedades que buscam diversificar a oferta de forragem durante os meses frios

A estação seca é, historicamente, o período que mais pressiona a pecuária no Sudeste brasileiro. Com o pasto reduzido e o volumoso sendo consumido, a pergunta que muitos produtores fazem é: existe alguma alternativa para manter o rebanho bem alimentado sem depender só do estoque de silagem?

A resposta pode estar nas culturas de inverno. Aveia, azevém, triticale e centeio são algumas das opções que ganham espaço nas propriedades que buscam diversificar a oferta de forragem durante os meses frios. Mas será que o investimento compensa?

O que são as culturas de inverno

Culturas de inverno são espécies forrageiras ou de grãos adaptadas a temperaturas mais baixas, plantadas entre o final do outono e o início do inverno, geralmente entre março e junho dependendo da região. Na pecuária, as mais utilizadas para pastejo ou produção de feno são a aveia preta, o azevém e o triticale.

Essas culturas se desenvolvem justamente quando as gramíneas tropicais estão em baixa produção. Por isso, funcionam como uma ponte forrageira, reduzindo a pressão sobre o estoque de volumoso e oferecendo pasto de qualidade em um período crítico.

Os benefícios na prática

A principal vantagem das culturas de inverno é a qualidade da forragem produzida. Aveia e azevém, por exemplo, apresentam altos teores de proteína bruta e boa digestibilidade, o que se reflete diretamente na condição corporal dos animais e na produção de leite em rebanhos leiteiros.

Para a pecuária de corte, o ganho de peso no período seco, que costuma ser o gargalo do sistema, pode ser mantido ou até melhorado com o uso dessas culturas. Para a pecuária leiteira, a redução no custo com concentrado é um dos principais atrativos, já que o animal supre parte das suas exigências nutricionais no pasto.

Outro ponto importante é o benefício para o solo. As culturas de inverno protegem o solo da erosão, melhoram a estrutura física e aumentam o teor de matéria orgânica, contribuindo para a sustentabilidade da propriedade a longo prazo.

O que pesa na decisão

O investimento em culturas de inverno envolve custo com sementes, preparo de solo, adubação e, em muitos casos, irrigação. Em regiões onde o inverno é muito seco, sem irrigação o stand de plantas pode ser comprometido e o retorno cai bastante.

Além disso, o produtor precisa ter área disponível para o plantio sem comprometer o descanso das pastagens tropicais, que vão precisar estar em boas condições para a retomada do crescimento na primavera.

A conta precisa ser feita de forma individualizada. O custo por quilo de matéria seca produzida pelas culturas de inverno deve ser comparado com o custo de outras alternativas, como a compra de feno ou o uso intensivo da silagem estocada. Em muitas situações, o resultado surpreende positivamente.

Vale o investimento?

Depende, mas em geral sim. Para propriedades que já têm estrutura de plantio, acesso à irrigação ou regiões com invernos úmidos, as culturas de inverno são uma das estratégias mais eficientes para atravessar a seca com o rebanho em boa condição e sem estourar o custo com suplementação.

O ponto mais importante é que essa decisão não pode ser tomada no improviso. Ela precisa fazer parte do planejamento forrageiro anual da fazenda, considerando a área disponível, o tamanho do rebanho, o custo de implantação e o objetivo de produção.

E para planejar bem, é preciso ter dados. Saber o consumo médio do rebanho, o estoque disponível de volumoso, a condição corporal dos animais no início da seca e a projeção de gastos são informações que fazem toda a diferença na hora de decidir se vale plantar, quanto plantar e qual cultura escolher.

Fazenda que registra, planeja. Fazenda que planeja, não é surpreendida pelo inverno.

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Autor:

Eduarda Viana

Zootecnista

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